Fui alimentar as galinhas e capinar a horta

“Sonhos são feitos para serem sonhados, pesadelos para serem vividos”. Nicole, prostituta do Nightclub Don Juan, no beco das garrafas, sobre a única frase que ela deixaria para a humanidade em pergunta feita por mim, na última quinta feira.

Não é mais fácil pedir desculpas? (E o Grupo Matriz se pronuncia)

Quanto ao assunto declaramos que antes de mais nada, AMAMOS a música do Paulinho Guitarra e desejamos muito tê-lo em alguma de nossas casas!

O evento “Rebolation Party” está marcado há mais de um mês para a data do dia 02/06, desde que o produtor do Pista 3, Marcos Corrêa, foi informado que a temporada do Paraphernalia, grupo então produzido por Pedro Rios, se encerraria em maio. O evento “Show do Paulinho Guitarra” nunca esteve efetivamente marcado. Nunca foi divulgado, ou comunicado pelo Pista 3 ou Grupo Matriz ao público ou à Imprensa.

Houve um email no dia 25/05 de Pedro Rios Leão para Marcos pedindo confirmação para a temporada de Paulinho Guitarra, incluindo a noite de 02/06. Na resposta, em 27/05, Marcos escreveu “tudo certo para a temporada do Paulinho” e por um descuido, não viu incluída esta data na temporada. Ao perceber isso, tentou ligar para o celular do Pedro, que estava desligado, e então mandou email a ele dizendo que infelizmente esse dia já estava ocupado. Após esse momento, o Pedro argumentou que era o “dono” das quartas feiras no Pista 3, o que não é verdade, e imediatamente nos ameaçou de processo judicial caso a data do dia 02/06 não lhe fosse facultada para a realização do show.

Eu, Daniel Koslinski, recebi um telefonema do Pedro no sábado de manhã, dia 29/05, onde argumentei muito ponderadamente, durante mais de 20 minutos, que houve uma falha de comunicação por nossa parte, mas que não chegamos a efetivamente marcar o evento, até porque não poderíamos deixar uma véspera de feriado esperando definição de atração até cerca de 8 dias antes do evento. Ainda, o Guia Nox, com a programação do Grupo Matriz, já estava com conteúdo fechado desde o dia 15/05, no qual consta o evento “Rebolation Party” e nenhuma menção ao “Show do Paulinho Guitarra”. Me ofereci prontamente a tentar outra data pro Paulinho. A resposta de Pedro, por email, foi uma série de exigências que incluía várias datas no Cinematheque, Pista 3 e Casa da Matriz com acordos estabelecidos por ele e ainda nos responsabilizaríamos por ingressos vip, filipetas, divulgação e uma série de promoções. Ou isso ou processo.

Ora… aí o caldo realmente entornou. Não me senti obrigado a aceitar exigências em troca de ameaças, prática comum ao sequestro, que abomino. Destaco que nunca fizemos nenhuma ameaça como argumenta Pedro. Parece que ele assim se sentiu por sermos, nas palavras dele “gigantes”. Somos então o próprio moinho.

Nós do Grupo Matriz sabemos muito bem a dificuldade de produzir cultura alternativa num ambiente tão hostil como o Rio de Janeiro. Inúmeras vezes bandas e DJs já desmarcaram datas conosco. Nossa postura sempre foi de entendimento. NUNCA em 12 anos de trabalho, processamos ninguém. Nunca viemos a público para denegrir qualquer pessoa, artista ou parceiro. Nossas realizações e nossa história falam por nós. Acreditamos na diversidade do mercado e mantemos ótimas relações com os que o dividem conosco. Participamos ativamente de iniciativas como o PoloBotafogo de Gastronomia, fundado e idealizado por Léo Feijó, que também é diretor do SindRio (Sindicatos de Bares Hotéis e Restaurantes do Rio de Janeiro) e do Novo Polo do Rio Antigo (entidade que reúne as casas da Lapa). Participamos de iniciativas do Sebrae para desenvolvimento do mercado e produzimos recentemente o fórum Econnoite, exatamente para discutir com artistas, produtores e governo possibilidades para o desenvolvimento da economia da noite e do entretenimento.

É lógico que o romance nessas horas atrai muito mais simpatia. A fantasia do abnegado que luta pela cultura a despeito de qualquer sucesso comercial e que não se submete aos vis capitalistas monopolistas, blá blá blá… Isso sempre dá audiência. É sucesso há anos na sessão da tarde. Mas na vida real, pra quem realmente tem a coragem de meter a cara e levar um projeto à frente em nome de um sonho, as coisas são bem diferentes. Só quem tem mais de 150 carteiras de trabalho assinadas de próprio punho e todas as famílias esperando o pagamento no dia 5 de cada mês pode saber qual é o desafio.

Não conheço bem as inúmeras realizações do Pedro, mas imagino que sejam sensacionais. De qualquer forma, parece óbvio seu objetivo nesse episódio. Nós do Grupo Matriz não vemos problema nenhum em ajudá-lo nisso. Que todos conheçam e aplaudam Pedro Rios Leão.

Daniel Koslinski

P.S.: certamente muito ainda vão querer falar sobre isso, mas nos reservamos ao direito de não nos alongar no assunto.

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As acusações que o Grupo Matriz faz são absurdas e desencontradas. O que eles chamam de “falha na comunicação” é o fato de por um ano inteiro eu ter sido responsável pelas quartas (nos dois meses que antecederiam o show do Paulinho, eu já fazia a temporada do Rabotnik  nas quartas e havia avisado inúmeras vezes do início iminente da temporada do Paulinho, com a certeza da data) e ao mesmo tempo ter recebido um e-mail CONFIRMANDO a data. O que nos fez mobilizar, músicos, estúdio para ensaio, produção logística, divulgação etc.

É muito dificil assumir que esse é um erro lesivo, que incorre em consequências negativas em uma relação de trabalho?

Logo que o problema se revelou, o meu primeiro pedido foi pela manutenção da data. O Grupo Matriz negou sob qualquer circunstância essa possibilidade (abertamente alegando pressão do departamento financeiro), e se propôs, imediatamente, a negociar um acordo.

Ao enviar a minha primeira proposta, deixei claro que se não quisessem negociar que me pagassem a multa prevista em contrato e o assunto se daria por encerrado. Além disso, justifiquei os pontos do acordo em extensos textos, esperando debate. Tudo isso a troco de nada, porque, como disse, a partir daí fui apenas ignorado e agredido, não recebi contrapropostas ou críticas. 

Acordo, no meu dicionário, visa entendimento entre as partes e não a imposição da vontade do mais forte sobre o menor, que não tem como se defender. Aplicando a teoria do “Ele precisa de mim, eu não preciso dele.” 

No mais, não é uma questão de quantas realizações pousam em meu currículo. Eu poderia não ter nenhuma realização, isso não lhes dá o direito de sair pisando no meu pescoço e desrespeitando novamente, músicos, produção e público.Essa acusação de que comecei a briga em busca de visibilidade é ridícula. O Grupo Matriz SABE o quanto eu IMPLOREI para não ter que tomar essa atitude, implorei para negociar.

Trechos dos emails, que eu enviei, antes de me manifestar publicamente e depois de passar a ser ignorado:

“acho que deveríamos, eu, você e Jane sentar para conversar.”“Meu sonho é só fazer as coisas funcionarem, eu só quero amor e paz…mas não aceito a PAX imposta pelo Grupo. Na adversidade e no erro são onde nós temos as melhores chances de demonstrar hombridade, e eu falo isso porque já errei bastante.”

“cansei de debater para ser ignorado e intimidado.o que você quer? o que você propõe?O que o grupo Matriz vai fazer? Quer conversar cara a cara? ”

“Estou muito preocupado com o bem estar do Paulinho (que está sendo mais depreciado ainda com a demora na adoção de uma postura conciliatória por parte da casa)É muito ruim esse constragimento pelo qual nós estamos passando, tendo que sofrer críticas e sendo intimidados por querermos o direito de gerência dos nossos projetos e respeito ao nosso trabalho O feriado é depois de amanhã. A Jane já se viu obrigada a retirar o anúncio do evento no site. Teremos conversa? Teremos acordo? Teremos retratação?”

“Assombra-me essa escolha do Grupo, que só prejudica ao máximo todos os envolvidos.Darei o prazo de 24 horas para começar a me expressar publicamente sobre o assunto.”

 Não por outro motivo, a tentativa do Grupo Matriz de comprar o Paulinho com show no Odisséia ou no Cinematheque foi frustrada. Porque demonstra uma prepotência monstruosa em não reconhecer o erro e uma GIGANTE FALTA DE CARÁTER.

Não por outro motivo, Paulinho Guitarra, profissional respeitadíssimo, com décadas de estrada, que acompanhou todo o debate através dos emails, se posicionou firmemente ao meu lado, declarando repúdio as atitudes do Grupo Matriz.

Como eu avisei nos emails ao grupo, ao consultar o meio vi que a minha opinião não representava uma opinião isolada, por isso a repercussão. Foi consultando o meio que  minha revolta cresceu por notar, como falei, uma frequência endêmica desse tipo de comportamento (Já não acredito que “erro” seja o termo apropriado)

 Não estou desmoralizando o Grupo, com adjetivos e suposições.

Estou relatando um acontecimento, com fatos.

Quem adota postura desmoralizante, em cima de alguém mais fraco, numa tentativa desesperada de defesa, não pode estar certo.
 
DESAFIO O GRUPO MATRIZ A DEIXAR DISPONÍVEIS NA REDE OS MAIS DE 40 E-MAILS ONDE EU TENTO RESOLVER ESSA QUESTÃO NA CONVERSA.

Porque o Grupo Matriz deve responder por seus erros (ou cultivando justiça para colher cultura)

Na última sexta feira, dia 28 de maio, recebi do senhor Marcos Corrêa,  produtor responsável pela agenda do Grupo Matriz a seguinte mensagem por email: “Pedro, dia 02 não vamos pode faze RO (sic) Paulinho Guitarra, só vi agora no release que começava nesse dia.  Nessa quarta não rola, é véspera de feriado e já tem festa fechada desde maio. Desculpa”

Eu, Pedro Rios Leão, ocupo, na função de produtor, o espaço da casa noturna Pista 3, pertencente ao Grupo, desde o dia 5 de maio de 2009, SEMANALMENTE.  Assombrou-me, de imediato, a naturalidade com a qual o email foi mandado, apenas CINCO dias antes do evento, depois de ampla divulgação.

Fiquei chocado com o tratamento dispensado à mais de um ano de trabalho árduo, com o desrespeito ao público,  ao artista, ao conceito de projeto e da produção.

Fiquei triste de saber, que construí uma identidade e me dediquei a fomentação de uma veia cultural para ser dispensado, da maneira mais desrespeitosa possível, e como se a vontade do Grupo Matriz e de seus sócios fosse soberana e inquestionável perante o senso de justiça entre as pessoas, sobre os deveres e direitos que protegem toda relação comercial.

Fiquei surpreso ao ver que um grupo que eu considerava consciente e capaz, julga pertinente impor de forma arbitrária ao público, que há mais de um ano está acostumado a frequentar aquele espaço, nessa data, para ver música instrumental de alta qualidade, uma expulsão do mestre Paulinho Guitarra, em favor do evento “Rebolation Party”. (Gostaria de afirmar que não faço nenhum juízo de valor, só ressalto a distância entre os projetos)*.

Porém, o que me levou realmente à revolta e a uma postura belicosa foi descobrir, durante toda discussão subsequente, a incapacidade do Grupo Matriz em assumir os próprios erros, e logo, a frequência endêmica desses erros.  Me revolta descobrir que o Grupo Matriz se vê no direito de agir como lhe convier, certo de impunidade por se apoiar em seu peso político, no monopólio de nicho que exerce, e na postura ameaçadora de seus sócios frente a críticas e cobranças.

O senhor Sócio Diretor Do Grupo Matriz (figura conhecida), em extrema arrogância, classificou o problema como ” um frequente revés de mercado”. Chuva é um revés de mercado. Acidentes elétricos ou hidráulicos podem ser revezes de mercado. Marcar dois eventos na mesma data e eliminar um deles, sem nenhuma compensação, de acordo com a sua pretensão financeira é um dano real (financeiro e midiático) e um brutal desrespeito com artista, produção e público.

Eu, em justificada indignação, ao enviar a primeira proposta de acordo, passei a ser sumariamente ignorado. Meu acordo pouco visava compensação financeira, apenas queria garantir a sobrevivência do projeto e a justiça dentro dessa relação comercial que havia se tornado francamente hostil.  Nenhum tipo de contraproposta, crítica, ou ainda simples retratação foi apresentada.

Nesse ponto eu comecei a ser desmoralizado e intimidado pelo próprio Senhor Sócio Diretor Do Grupo Matriz (que até então não havia se pronunciado). Daí para frente  é simplesmente triste observar os expedientes de negociação utilizados pelo sócio do Grupo Matriz. E por motivos óbvios, minha preferência sempre foi pela negociação. Assusta-me ter que enfrentar gente tão mais influente do que eu.

O  Grupo ainda tentou cooptar o Paulinho Guitarra, oferecendo diversas propostas (nenhuma em que a Matriz reconhecesse seu erro), me excluindo da produção que eu havia concebido sob acusações de  “postura belicosa”, “ameaça de processo” e de reação desequilibrada. Ora, a reação foi proporcional ao dano, na minha primeira cobrança, que simplesmente visava a manutenção segura do meu trabalho. Após isso eu recebi somente intimidações e não críticas e contrapropostas. Se houve postura belicosa é porque houve agressão Se haverá processo, é porque existe razão (amplamente lamentada) para tal.

E um dos principais argumentos do Senhor Sócio Diretor Do Grupo Matriz era de que isso já havia acontecido inúmeras vezes, com inúmeros outros produtores, e ninguém nunca havia reagido dessa forma. Portanto, se era isso que fazia o Senhor Sócio Diretor Do Grupo Matriz considerar a sua vontade acima dos direitos de quem o cerca, eu achei necessário “reagir dessa forma”.

Não comecei a trabalhar com produção cultural, com música instrumental no meio da semana, visando o enriquecimento.  Trabalho com produção cultural por amar o talento e a arte que afloram nos músicos e criadores da minha cidade. Trabalho com produção cultural porque sonho em contribuir para um cenário onde o artista possa se desenvolver e se expressar com liberdade e respeito. Portanto, nenhum projeto que eu possa criar, nenhum artista que eu venha a descobrir, é tão importante no processo de construção desse sonho quanto uma postura firme no combate aos desmandos de um Grupo que usa seu poder (construído em cima de tantas parcerias, com gente igualzinha a mim) para intimidar, atropelar e maltratar quem ele julga necessário.

Devo processar o Grupo Matriz porque felizmente a minha legislação discorda da supremacia da vontade do Senhor Sócio Diretor Do Grupo Matriz

Devo processar o Grupo Matriz na esperança de que outros não se deixem abusar.

Devo processar o Grupo Matriz porque mesmo que eles sejam capazes de me prejudicar ainda mais (e eu, sinceramente, não posso acreditar que sejam) eu não fui criado para aceitar abusos e arbitrariedades.

Enfim, devo processar o Grupo Matriz, porque se eu tivesse que escolher entre ser um produtor cultural “bem relacionado” covarde e deixar de ser um produtor cultural para ser um homem que luta pelos seus direitos, eu faria minha mãe se orgulhar de mim.

Felizmente continuo digno, combativo, honesto e produtor cultural.  Já o Grupo Matriz…

Eu não sou um cruzado e meu objetivo não é “destruir” o Grupo Matriz, apenas obriga-los a uma reavaliação de sua postura. Seria uma lástima, um crime contra o Rio, se atual soberba e má gerência dessas pessoas acabasse por fechar tantos espaços que poderiam ser usados, de fato, para fomentação de cultura, e não como mero reprodutor de um entretenimento de massas, pelo afã financeiro de seus sócios.

Esse texto é um manifesto, um desabafo. Peço, aos amigos, aos artistas, e aos produtores que se manifestem, sem beligerância, no sentido de fazer o Grupo Matriz mudar sua postura, e ao menos, assumir seu erro e se retratar perante o dano causado a imagem do Paulinho e, diretamente, ao meu trabalho.

Esse manifesto é para que ninguém mais se sinta humilhado e impotente por querer produzir arte com tratamento justo no Rio de Janeiro.

Por favor, compartilhem, levantem o debate, defendam o Grupo Matriz se for o caso, mas não deixem essa questão passar em branco.

Gostaria de expor aqui toda a troca de emails que envolve o episódio, mas fui alertado pelos meus advogados que a constituição garante direito de “sigilo de correspondência” ao Senhor Sócio Diretor Do Grupo Matriz.

Quem tiver qualquer dúvida sobre como isso ocorreu, que possa colaborar para o debate, eu posso aqui, nos comentários, esclarecer inclusive usando as próprias palavras do Senhor Sócio Diretor Do Grupo Matriz, que incluem pérolas como “se liga” “ninguém nunca me encostou na parede antes” e “se você quiser continuar a sua carreira de produtor…”

* Só para mostrar como gira o mundo: Quando eu falo que não há juízo de valor, eu REALMENTE quero dizer que a distância entre os projetos, quando me refiro a rebolation party, está só no conceito entre música instrumental ao vivo para festa de viés pop. Não me refiro mesmo a qualidade, e ontem (2/06) descobri que entre os produtores da festa está minha ex-namorada, pessoa pela qual eu tenho imenso carinho e respeito, e que, se tivesse tido sua festa tomada há 5 dias do evento, seria tão vítima quanto eu.

Banda Forte

Na ordem: Bruno di Lullo, Bem Gil, Leandro Floresta, Rafael Rocha. No meio, Ana Cláudia Lomelino. (foto por J. Bispo)

Ao contrário da maioria das excelentes bandas independentes em atividade no Rio (Brasov, Binario, Do Amor, Letuce, Paraphernalia, Kassin, Rubinho Jacobina, Jonas Sá, Rabotnik, Abayomy, entre outras), que eu conheci em apresentação, a banda Tono chegou aos meus ouvidos pelo disco “auge”, de estréia, lançado em 2009.

Do natal em que eu ganhei o disco, até o primeiro show, eu fui pura ansiedade. Despretensioso, bonito, competente, original, artístico: o disco é uma obra de arte viciante. Pop, bem elaborado, com timbres e efeitos surpreendentes e ultra melódicos. O envolvimento e compulsão que ele causa só não irrita pela inegável complexidade e originalidade do som. Você nunca ouviu nada igual, cheio de efeitos e timbres inidentificáveis, mas parece que você conhece a vida inteira. Como se ele estivesse sempre estado ali, na estante, entre Beatles e Mutantes. Na cozinha, dizem que uma comida realmente é bem feita quando você usa muitos ingredientes e eles parecem poucos e coerentes. É bem nesse sentido que eu afirmo que Tono, em primeiro lugar, é UMA DELÍCIA. 

Falando em cozinha, a banda é capitaneada, na batera e no vocal, pelo genial Rafael Rocha (Brasov, Binário, Rabotnik , e, recentemente alçado a baterista da Adriana Calcanhoto). Compositor prolífero, instrumentista impecável,  já o vi  improvisar maravilhas de, literalmente, debaixo do bumbo e “tocar” até uma cadeira de bar. Se eu tivesse direito a uma aposta do coração, diria que ele é o homem do ano que segue.  Sua cara – tecnicamente irrepreensível – metade na banda é o baixista Bruno Di Lullo. Se música fosse mesmo amor, os dois deveriam casar. Parceiros no já clássico Binario (de onde sairam também o multiintrumentista Lucas Vasconcellos, da banda Letuce, e outra meia dúzia músicos freaks: Fabio Lima, Eduardo Manso, Estevão Casé, Bernardo Palmeira… usa o google aí no pessoal, vai.) e no Rabotink, a fluência entre os dois é um dos pontos altos da banda e dos shows.

Rafael Rocha improvisa em uma cadeira.

Na guitarra, Bem Gil é um poético e preciso seguidor da filosofia menos é mais. Sem exibicionismo, Bem constrói uma identidade musical própria, uma assinatura consciente e bonita, encaixada quase por mágica, no conjunto de temperos da banda.  Leandro Floresta toca flauta, um microkorg, violão, e certamente apronta mais alguma coisa que ainda me foge. Na presença simples, palpável, sexy e elaborada dos dois acho que mora a veia mais beatleaniana dos tonos. 

Completa o quadro Ana Cláudia Lomelino. Não sei porque, como, ou quando eles decidiram que a banda deveria ter um vocal feminino. Mas parece que a idéia saiu da cabeça de um produtor malvadão, com anos de estrada e uma visão premeditada de mercado. É tão impactante, tão certo, tão incrível e único. Com um timbre á la Nara e uma presença tropicália, Ana quebra tudo e arrebata corações.  Nos shows, sua performance é suave na mesma medida em que é livre  e despudorada, impondo ao público o peso onírico e até um pouco pertubador (como qualquer mitologia) da banda. A banda já é um todo sem ela, mas é na Ana que o Tono te detona (meninos e meninas, ok?)

Nos shows eu tive o prazer de me viciar em várias canções que não estão no disco de estréia (e estarão em breve no segundo disco), tive o prazer de ouvir versões de músicas tão surpreendentes quanto apropriadas (de Kaled, a blondie, passando pela música lusitana) tive a felicidade de ver que ao vivo eles conseguem te ganhar tanto quanto naquele disco, que vai ser o meu eterno presente do natal de 2009. Se você quiser ter essa oportunidade também, a banda se apresenta NESTE SÁBADO, no TEATRO ODISSÉIA dentro do festival fazedor de sucesso ABRIL PRO ROCK

bem bom, música portuguesa

improvável e maravilhosa fonte original

Para você se familiarizar, vale o myspace tonoauge. Que eu sugiro que os senhores ouçam de fone. Se aparecerem pelo Odisséia no sábado, aposto que vão tirar onda com os amigos daqui a uns dois anos. 

 PS: Antes que vocês digam que eu só escrevo bem das paradas. Ninguém me paga pra escrever, então se for pra falar mal, prefiro não falar nada. Acho que existe um paraíso musical nessa cidade e luto para que ele seja descoberto.

In Memoriam

Quais são as chances de conhecermos alguém por toda a vida e nunca nos depararmos com sentimentos ruins ou desprezíveis em relação a essa pessoa? Hoje eu percebi o quanto eu amava o meu vizinho, no sentido mais sagrado da palavra vizinho. Eu amava o Coronel Galba como meu semelhante. Durante toda a minha vida ele esteve ali, sempre afetuoso, sempre compreensivo. Durante toda a minha vida ele fez parte dela, como um personagem do meu filme. E nunca foi uma questão o sem número de oposições que nós poderíamos ter. (normalmente síndicos não reagem bem quando um dos condôminos incendeia o prédio). Afeto e compreensão são coisas raras, e eram tão bonitas nele. O que me dói não é a morte, porque me fascina a própria manifestação de consciência entre essas transformações magnânimas de carbonos e hidrogênios no que nós conhecemos por nascimento e morte.  O que me dói não é a saudade, física e apegada. Tudo na vida é efêmero e nós devemos lutar por transcendência e sublimação, sempre. O que me dói é essa perda da bondade.  É ver com o passar do tempo, esse filme, da minha vida, ficar um pouquinho mais cruel e triste.  Sem o Coronel a vida fica mais feia. Mas na própria bondade que ele espalhava repousa a impressão clara de que ele produziu a felicidade dos sábios para si mesmo.  E eu espero que na minha vida, outros personagens, tão bondosos, tão carismáticos, possam aparecer para cobrir um buraco que inegavelmente se faz.

Hoje eu perdi mais um pedaço da minha infância.

Lei, Liberdade e Torpor. (amor)

Leis não brotam da terra, não são impressas pela natureza em pele alguma, não são determinações divinas. Para nossa  supresa,  leis são criações do homem. E, ainda mais chocante, leis são criações de homens em posição de poder criar leis. Portanto, na defesa do direito de identidade e liberdade individual dos homens, o simples argumento jurídico é questionável, parcial, e, sobretudo, pouco esclarecido. 

Os caminhos que levam até a construção de leis estão longe de representar a esperada reflexão sobre o bem estar, ou a preservação de identidade e direito a vida dos que vivem sob essas leis. As constituições ao longo do mundo impõe uma forma de vida moralista, sob uma escravidão mercadológica, onde essências singulares e bem estar são simplesmente esmagados.

Se não vívessemos sob constante e fatal pressão de mercado perceberíamos facilmente que sobre os royalties do petróleo a melhor decisão seria pela exploração de fonte de energia renovável e não-poluente. Mas somos obrigados a temer pela sobrevivência, fomos forçados a isso, para não pensarmos senão com base na expectativa de promoção social.   No século XV Maquiavel falava que a política era controlada através do controle sobre o medo da morte. E o liberalismo político-econômico, que se vestia de forma tão colorida, afirmando uma valorização impar do indivíduo, esmagou as singularidades com uma eficiência inédita na história sob essa política do medo. E o pior, assim estamos sendo mortos.

Nos últimos anos tudo que perdemos foram liberdades individuais, é vergonhoso comparar a afirmação pela identidade há 50 anos atrás com as dos dias de hoje. E depois dizem que o marxismo é que massifica. A frenética busca por espaço e ascenção desencadeou um darwnismo social tão grande que qualquer “desvio” é motivo para matar o competidor. Negro, gay, judeu, fala alto, não sorri, maconheiro, insegura, escreve muito… a lista de adjetivos e “defeitos” é interminável e a opressão é fascista.  Você olha para as pessoas (qualquer uma, ou a imensa maioria delas) e elas parecem animais assustados, evidentemente não são felizes. A depressão é epidêmica.

A depressão é epidêmica por que nem a um bicho é negado o acesso a identidade, como esse acesso é negado ao homem hoje em dia. Todos querem se expressar e o único caminho para isso é o entendimento, via palavras, argumentação, cautela, ausência de “princípios”, auto crítica e uma porrada de outras coisas que já sairam de moda. Nunca uma contra-cultura (urgentemente pró cultura) foi tão necessitada.

A minha briga pela identidade é diária. Sigo religiosamente as palavras da célebre Pasionaria espanhola, Dolores Ibárruri, que dizia que “É melhor morrer em pé do que viver de joelhos”.  Dou-me o direito a opinião e sofro com isso, a maioria das opressões supracitadas não são previstas em lei, mas a força da repressão social é tão terrível quanto ou até pior do que a mera aplicação de uma lei.  Costa-Gravas mostra em “O Corte” a vida de um engenheiro ser triturada pois ele vivia “na terra do sorriso obrigatório, mas havia se esquecido de como sorrir”.

Porém, existe no Brasil (e no mundo) um anacronismo legal, que tende a cair, em relação ao uso de drogas. Esse anacronismo é bastante cruel pelas consequencias sociais da proibição. Esse debate gira em torno da discussão malefícios das drogas versus  reflexos sociais. Eu não acho que os malefícios das drogas sejam piores do que disturbios alimentares, e acredito que as psicoses e neuroses criadas em massa pelo capitalismo moderno tornam esse tema quase insignificante. Ainda mais se o uso de drogas é observado pela perspectiva histórica. No meu humilde ponto de vista, essa discussão sobre entorpecência esconde uma visão positivista de progresso, o mesmo ideário fascista que se espalha por outros preconceitos que não são concebidos em lei.

Prefiro analisar o absurdo que essa lei representa empiricamente. A ausência de sentido em tentar, por motivos suspeitos, aplacar um consumo que no caso da cannabis, por exemplo, existe há 40 séculos. A Cannabis, uma planta, que pode ser produzida como manjericão, que tem efeitos orgânicos muito mais leves do que o Alcool, só gera uma indústria pela proibição de consumo e produção. 

Desde o início dos tempos a entorpecência fez parte do processo de criação humano, e se isso é questionável, deveria ser posto no saquinho de liberdades individuais cuja decisão de uso pende sobre cada um de nós. Tem gente que bebe, tem gente que não bebe. Quem tem problemas com bebida se trata. Tem gente que tem problema com comida, tem gente que tem problema com sexo… Nada disso é motivo para vetar toda a raça humana de direito sobre as próprias experiências.

E graças a proibição da cannabis (e aos poucos, observando outras leis), no meu desenvolvimento de vida, eu aprendi a questionar mais a constituição do que o meu impulso de liberdade, direito,  e respeito ao homem.

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Ela sumiu assim que passou o ônibus. Eu pulei pra dentro, corri até janela, mas o movimento já havia lhe arrastado do meu campo de visão.

– ‘Vai lá! Manda um beijo pra moça!”. disse o motorista, lendo no meu rosto a denúncia vergonhosa dos apaixonados.

Sendo a sugestão ardentemente desejada, embora impossível, tirei do bolso a fotografia recém ganha, com um carinho que somente pessoas de 12 anos entendem. Passei os quarenta movimentados minutos do ônibus  ignorando severamente conselhos sobre descolamento de retina,  com o meu olhar e meu peito fixos naqueles outros olhos, impressos, magnéticos, como se com isso eu mandasse fisicamente todo o amor preterido pelos segundos de movimento que me negaram o último aceno.

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Paraphernalia + Pandemônio. Temporada de verão.

 

Promoção do Espumante!!!

Dezembro chegou e com ele o calor e as férias de muita gente. Por isso, resolvemos fazer a temporada de verão (dezembro-fevereiro) do projeto “Paraphernalia na pista 3” em grande estilo: Chamamos o coletivo pandemônio para fazer o after do show e liberar suas doses de cachaça de hora em hora. Desse jeito, além de um show inesquecível, nós queremos que vocês possam ficar conosco e se atirar numa festa onde ninguém vai ficar parado até de manhazinha. Além disso, nos dias 23 e 30, para celebrar o final do ano, nós sortearemos uma garrafa de Mumm  durante o show para quem  deixar nome nos comentários desse post.

 

A FESTA PARAPHERNALIA é, em último caso, diferente de tudo que o Rio viu nos últimos anos.  Dominada pela banda Paraphernalia, a noite mistura música instrumental com público festivo e diversão sem limites.  

 Alberto Continentino (baixo), Bernardo Bosisio (guitarra), Donatinho (teclado), Felipe Pinaud (Flauta), Joca Perpignan (percussão), Leandro Joaquim (trompete), Marlon sette (trobone) e Renato “Massa” Calmon (bateria) formam a trupe super profissional dessa banda independente.  

Com poucas e inspiradíssimas versões (Soul Makossa, Soul fingers, Libertango, Funky town, Umbabarauma, etc.) e um repertório repleto de canções próprias eles te levam para um universo dançante, cheio de grooves inspirados na tradição old school, em uma noite única no Rio de Janeiro.   

Se apresentando toda semana há 8 meses, essa banda com cara de festa é seguida sempre por discotecagem de respeito, dando a oportunidade perfeita para os que querem esquecer dos problemas e se divertir como nunca em plena quarta feira  

DJS Billy the Kid, Judeu e Larissa V.

 PANDEMÔNIO é um coletivo anti-hype de música orgânica. Não queremos ser estrelas e nem vanguarda. Não estamos em concurso de popularidade. Nosso coletivo é da pista: não somos importantes, o público é. Não somos os reis dos hits e das novidades, e tampouco fugimos deles. Substituímos o culto pelo feeling e pela diversão honesta e jogada. Levamos cachaça por onde passamos. Damos Kayne para quem é de Kanye, Pixies para quem é de Pixies, Aoki para quem é de Aoki, e Elis para quem é de Elis. Por que para nós música só se divide em boa ou ruim.
  

                                     Preço:
Lista amiga12 reais c/lista até meia noite
15 reais c/lista após meia noite
20 reais sem lista 

Lista Amiga em:
http://listaamiga.com/paraphernalia+pandemonio-temporadadeverao/