Promessas de uma nova banda(de mercado).

Apostaria todos meus filminhos no sucesso absoluto da próxima temporada para o R. Sigma. Não sem motivo: musicalmente bonito (porém tímido) e cuidadosamente produzido, o disco Reflita-se, recentemente lançado pela banda, é uma gênese.

Com músicos preocupados e carismáticos, além de um trabalho de produção gráfica/comercial muito bem feito, a banda ruma ao estrelato. Porém, não sem críticas.

A Banda

A Banda

Como prefiro começar pelos defeitos, ressalto que o primeiro fator de incômodo foi justamente uma certa homogeneidade na primeira parte do disco. Acho que isso surge de uma preocupação excessiva (mas obviamente não despropositada) com a construção de um “hit style” e de uma identidade mercadológica.  Sente-se claramente  em algumas faixas a vontade de chutar mais o balde (pelo menos eu senti).

O segundo foi o volume. Em uma época onde as pessoas trocaram seus aparelhos de som por ipods, pensar em mexer no botão de volume é um anacronismo. Com isso, produtores, visando o impacto em um mercado de consumidores displicentes, atocham a compressão na masterização para deixar a música berrando e, assim, chamar atenção no aparelhinho. Resultado: a banda parece tocar em um elevador, o som chapa.

Hiato, que é uma canção linda de chorar, e o Mito do insubstituível perdem baldes com isso. Baladas precisam de dinâmica.

Mas isso é uma prática de mercado que atinge 90% da produção atual e uma guerra perdida.

Agora vamos aos elogios 😀

Comecei ouvindo o Reflita-se do jeito tradicional, faixa a faixa, e o disco começa com uma pequena obra de arte: Permaneça Flexível tem uma linha de baixo ótima, riffs ótimos, e um arranjo imprevísivel e delicioso que te enche de vontade de ouvir o resto do disco.

Daí vem faixas inspiradas, de estética fechadinha (ora mais pegada, ora mais solta), muito bem feitas e pensadas, que são ótimas, mas que para ganhar o coração do amiguinho que vos fala, precisavam uma quebra melódica ou de timbre  no vocal e mais surpresas no arranjo (a exemplo de Permaneça Flexível).

E a surpresa chega em Amém,  outra alegria pro mundo do rock.  Quando terminou a faixa eu eu recorri ao encarte, resolvi passar direto para Egonizando e bingo: Outra música ótima! Diogo Strausz ganhou um fã.

Ao voltar pra ordem, mais surpresas: De nós pra nós, Sobre trunfos e bandeiras, e Furacão fazem o fillet mignon do Reflita-se. São as mais autorais e ousadas músicas da dupla Tomás Tróia-Lucas Castello Branco.

Sendo Furacão e Permaneça Flexível as centelhas de genialidade de um álbum constante, bem feito e honesto, Reflita-se é um dos melhores (senão o melhor) disco de estréia de uma banda de rock carioca que eu ouvi, de todos lançados nos últimos 15 anos.

Para ouvir/baixar é só ir no myspace dos meninos.

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6 Respostas para “Promessas de uma nova banda(de mercado).

  1. o melhor dos últimos 15 anos? isso, definitivamente, dá um peso. haha

    e cá entre nós, esse menino faz ótimas resenhas. =D

  2. definitivamente melhor disco de lancamento dos ultimos 15 anos. Disco bem pensado, arquiteturado e esquematizado alem de extremamente dinamico. Gostoso de ouvir do inicio ao fim, vale a ouvida e o download. Que eh totalmente de gratis.

  3. ‘Acho que isso surge de uma preocupação excessiva (mas obviamente não despropositada) com a construção de um “hit style” e de uma identidade mercadológica’.

    Não poderia discordar mais dessa afirmação. O R.Sigma não faz nada nem de longe similar ao que faz sucesso no Brasil. No máximo, algumas formas de encaixar letras, bem como frases melódicas longas (no que diz respeito ao vocal), me lembram o estilo de composição do Rodrigo Amarante no Los Hermanos.

    Pra mim, a única preocupação excessiva é a de ter melodias vocais cativantes e que façam sentido, mas acho que isso só é motivo para elogios.

    • Na verdade, com fato de não existir sonoridade similar no que tem sido feito eu concordo.

      Só quis dizer que eu acho que o início do disco busca muito uma mesma fórmula, em parte das músicas eu sei oq vai acontecer antes de tocar e esse é o príncipio básico da busca por um hit: chiclestismo. Não a toa o maior hit-maker do Brasil é o Lulu Santos. Você é capaz de decorar todas as letras que ainda serão lançadas dele, se você se esforçar.

  4. O Cd não está lá grandes coisas! Destaco apenas a criatividade das duas guitarras. Parabéns!!

  5. Bem, eu sou R.Sigma desde criancinha. Acho uma banda que dá orgulho por ser nacional. Além do alívio – geralmente a gente tem que fingir que gosta das bandas dos amigos, mas eu realmente gosto deles. Tá no repeat no meu player.

    Mas o que você chamou de homogeneidade eu classifiquei como coesão. Me surpreendeu demais um disco de estréia de banda independente que não parece só uma coletânea aleatória das músicas já compostas.

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