Igreja Kassínica do Reino da Música

Kassin, no baixo, com Domenico.

Kassin, no baixo, com Domenico.

Alexandre Kassin é  bastante conhecido e admirado não de hoje, infelizmente menos pelo circuito independente do Rio e mais pelo mundo (Europa, Estados Unidos e Japão).

Moreno Veloso, Domenico Lancelloti e Kassin.

Moreno Veloso, Domenico Lancelloti e Kassin.

Desde que integrou o “Acabou la Tequila” uma das mais influentes,  respeitadas e citadas bandas da nova geração de músico cariocas, Kassin cresce em notoriedade e brilhantismo de produção.  Excelente produtor, multinstrumentista, Kassin tem uma série de trabalhos autorais fabulosos (o meu favorito é o grupo +2, com Moreno Veloso e Domenico Lancelloti) e parcerias brilhantes (com João Donato e Adriana Calcanhoto, por exemplo) Além disso foi responsável pela produção de discos como do Caetano,  Ventura e 4 do Los Hermanos, e Sim da Vanessa da Matta.

Enfim, durante os últimos anos fui conhecendo e  descobrindo o reino do Kassin, que abrange toda uma geração apaixonante de profissionais indiscritíveis.

No ano de 2009, ele lançou (somente no Japão) uma trilha sonora feita para um animê japonês chamado “Michiko to Hatchin” ,  disco sobre o qual esse post se presta a falar.

Feita a introdução, vamos ao disco:

Na verdade são dois volumes e eu escrevo sobre o Vol I. A primeira audição  já é impressionante o suficiente. Eu não diria jamais que um leque de 21 músicas, desse porte, tivessem saído de uma mesma cabeça, que dirá do mesmo álbum. O disco te leva para passear por um universo próprio e completamente heterogêneo, de texturas incríveis.

Capa do disco

Capa do disco

As duas primeiras músicas remetem bastante ao universo de João Donato, a primeira se chama Paraíso e é a abertura da série. Bastante epifânica, com um arranjo de coro e metais delicioso, batucada forte, timbres e noises soltos que dão uma cor danada, lembra também um pouco o trabalho do Egberto nos anos 70, ótima faixa!

A segunda , corre michiko corre,  é mais melódica e contemplativa, percursão macia, instrumentalidade ultra sensual. Também muito boa.  A terceira faixa, carimbó do orfanto, podia ser uma música do futurismo, lembra muito o trabalho do disco (em especial agua).

Quando termina Carimbó do orfanato e começa a tocar Calça de Ginástica, bate aquela sensação de que o shuffle só pode estar ligado. A música é um discopunk ANIMAL (sim, discopunk). Inspiradíssimo nos sintetizadores, de vocal incrível e passagem garantida do Kassin para as pistas do mundinho alternativo. Aposta pessoal: Hit do Inverno 2009.

No meio de uma série de delicías instrumentais, sambinhas, choros, pancadarias e passeios lisérgicos, que você nem acredita que está ouvind0, se destacam ainda:

Faixa 7 – Dulcimin’ Funk Melody instrumental, que dá início ao batidão do disco. É o que seria o kraftwerk se ele fosse sexy e não alemão (nada contra a dureza, só foi uma analogia). Outra que implora por pista, mas acho que o Rio tinha que ser menos medíocre pra ser hit.

Faixa 8 – Alça de Mira. Funkão carioca ABSURDO. Peso eletrônico, Grave no ponto, baixo incrível, programação e vocal redondos, quebradeira linda. Outro hit certo das pistas. CERTO.

Faixa 9 – Desencanto. Samba canção tocante, de letra linda.  (Merda, não tenho a ficha técnica do disco! Viu? comprem o original) Voz e violão, só. Lindíssima.

Faixa 17 – Surf Ferroviário Rock’nRoll, bom e simples: viradas de bateria incríveis, riffs de guitarra precisos e fortes e um curioso agogo que me soa vagamente onipresente no disco dando o toque de genialidade.

Ta afim de ouvir?

Vocês podem comprar aqui, na minha querida Dusty, dando search por Kassin. Chega em casa sem imposto até US$50 e o frete é rídiculo.

Se vocês precisam ouvir pra ter certeza que vale a pena, vocês podem esperar um poquinho que daqui a pouco eu upo o disco. Mas recomendo fortemente a compra… Esperaram?  Ta aqui!

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3 Respostas para “Igreja Kassínica do Reino da Música

  1. muito acho que alça de mira vai pras pistas mesmo. ( Contamos com isso, sr. Pedro Rios)

    Great Post! (Y)

  2. excelente resenha, pedro. parabéns pelo texto, super bem construído. te add nos favoritos. =)

  3. bacana! Excelente maneira de vender uma idéia enquanto se aprecia o disco. Grande texto, hein!

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